Os poemas abaixo foram retirados da Obra Decadência, de 1923, e constam, também, nas coletâneas "Poesia e Prosa" (2015) e "Judith Teixeira - Obras Completas - Lírica" (2016/2017).
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O teu corpo branco e esguio
prendeu todo o meu sentido…
Sonho que pela noite, altas horas,
aqueces o mármore frio
do alvo peito entumecido…
E quantas vezes pela escuridão,
a arder na febre dum delírio,
os olhos roxos como um lírio,
venho espreitar os gestos que eu sonhei…
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- Sinto os rumores duma convulsão,
a confessar tudo que eu cismei!
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Ó Vénus sensual!
Pecado mortal
do meu pensamento!
Tens nos seios de bicos acerados,
num tormento,
a singular razão dos meus cuidados!
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Perfis Decadentes
ia a luz a espreguiçar-se
vibram misticismos decadentes
por entre nuvens de incenso.
Longos, esguios, estáticos,
entre as ondas vermelhas do cetim,
dois corpos esculpidos em marfim
soergueram-se nostálgicos,
sonâmbulos e enigmáticos…
Os seus perfis esfíngicos,
na ânsia duma beleza pressentida,
Fitaram-se as bocas sensuais!
nos braços longos e finos!
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E morderam-se as bocas abrasadas,
em contorções de fúria, ensanguentadas!
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A Minha Amante
"............................... a dor
só lhe perco o som e a cor
Dizem que eu tenho amores contigo!
Eles sabem lá o que há de sublime,
Nos meus sonhos de prazer...
De madrugada, logo ao despertar,
Há quem me tenha ouvido gritar
Dizem - e eu não protesto -
Que seja qual o for o meu aspeto
Tu estás na minha fisionomia
Dizem que eu me embriago toda em cores
E que de noite pelos corredores
Quando vou passando para te ir buscar;
Levo risos de louca, no olhar!
Não entendem dos meus amores contigo -
Não entendem deste luar de beijos...
- Há quem lhes chame a tara perversa,
Dum ser destrambelhado e sensual!
Chamam-te o génio do mal -
E eu em sombras alheio-me dispersa...
E ninguém sabe que é de ti que eu vivo...
Que és tu que doiras ainda,
O meu castelo em ruínas...
Que fazes da hora má, a hora linda
Dos meus sonhos voluptuosos -
Não faltas aos meus apelos dolorosos...
- Adormenta esta dor que me domina!
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